Crônicas de uma psicóloga/mãe (de dois) - O que ele quer me dizer?
26 de April · 1 minuto de leitura
Há algumas semanas, percebemos que o Guto está mais grudadinho em mim. Esta foto é na pia da cozinha e é assim: ele fica sentadinho, brincando, debaixo das minhas pernas. Protesta se eu me afasto e passa a se comunicar como se fosse um bebê que ainda não soubesse falar. E pede colo, muito colo! É claro que eu fico me perguntando: o que está acontecendo? São muitas as hipóteses: resquícios das mudanças dos últimos meses, fase do desenvolvimento, denguinho por conta da gripe, mamãe precisando de colo e companhia.
Sim, esta última também é possível. Muitas vezes, as crianças se comportam a partir do que nós estamos necessitando. Tamanha é nossa conexão que, assim como nós capturamos na subjetividade as necessidades deles, eles fazem conosco também. Quando consigo ajudar minhas pacientes a enxergarem que o comportamento desafiador do seu filho pode ser um ato de amor e cuidado dele, uma resposta a um sintoma delas, isso acalma, alivia. Isso mesmo! Na certa parece que isso geraria culpa né? “Ah, tudo é culpa da mãe, a gente não pode passar nossa tensão, estresse, raiva, preocupação, insegurança pra eles”. Esquece, antes mesmo de você se dar conta que está sentindo tudo isso, eles já captaram e já acharam um jeito de comunicar que algo não está bem. Mas a presença da culpa, aqui, é simplesmente uma questão de perspectiva.
Novamente, eu comprovo, mais do que pelos meus estudos, pela minha vivência: a maternidade é a maior oportunidade de autoconhecimento e desenvolvimento que a gente pode ter na vida (se estivermos dispostas a aproveitar, claro). Ao invés de ficarmos nos cobrando tanto para sermos perfeitas, não faltar, ler todos os livros, fazer todos os cursos, atendermos todas as demandas, quem sabe só paramos para observar e nos perguntar: o que esse bebezinho quer me dizer?
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