O que os bebês sentem e como se desenvolvem as suas habilidades emocionais - Parte 2

O que os bebês sentem e como se desenvolvem as suas habilidades emocionais - Parte 2

25 de February · 2 minutos de leitura

O bebê começou a revelar preferência por quem regularmente cuida dele e a chorar quando essa pessoa sai? Pois é, isso acontece na fase próxima de sete meses e é absolutamente normal, porque é nesse período que ele começa a ganhar capacidade de desfrutar da intimidade compartilhada. É dessa etapa, que fica mais ou menos entre três e sete meses de vida, que eu vou falar neste segundo artigo sobre o que os bebês sentem e como se desenvolvem as suas habilidades emocionais. Se você não leu o artigo anterior, focado no que acontece até dois meses de vida, é só clicar aqui.

Até os sete meses de idade, as relações entre pais e bebês ocorrem em sincronismo, o investimento vai e volta, e é isso que permite que a criança comece a deixar clara a preferência por quem está com ela com mais regularidade. Esse é o momento em que bebês, que antes não protestavam contra a separação, podem chorar quando os pais saem de cena. Esse choro é uma demonstração do aumento natural de ansiedade diante do que é estranho. Como a memória e a cognição já tiveram avanços evolutivos, os bebês passam a ter a capacidade de antecipar as rotinas e as interações sociais.

Outro comportamento característico dessa fase é o direcionamento rápido da atenção diante da voz de pessoas com quem o bebê tem contato ou quando ele é chamado. Além disso, por ter o sentido de si mesmo começando a se manifestar e as emoções sendo expressas com mais intensidade, o bebê passa a protestar e mostrar mais raiva. Nessa fase, vivemos um momento muito importante, porque essa imersão relacional permite ao bebê desenvolver um sentido de solidariedade humana, o que, mais tarde, se configurará em empatia.

Um exemplo claro dessa fase pré-empática é quando, em um mesmo ambiente, outros bebês começam a chorar depois que um inicia o choro, o chamado contágio emocional. E falando em relacionamento com outros bebês, é nessa etapa, também, que o ciúme pode se manifestar. Hart, Carrington, Tronick e Carroll revelaram, em um estudo com crianças de seis meses, indicadores de ciúme quando a atenção de um cuidador preferido foi direcionada para outro. Nessas situações, a resposta emocional das crianças foi acompanhada de diminuição da alegria e aumento da raiva.

Com essas emoções já presentes no dia a dia, os bebês entram em outro nível de desenvolvimento na segunda metade do primeiro ano de vida. O que acontece a partir dos seis a sete meses, vou tratar na terceira e última parte desta série de artigos. Acompanhe por aqui.

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Bibliografia:

Siegel, 2001;

Mares, Newman, & Warren, 2011;

Rosenblum, Dayton, & Muzik, 2019;

Silva, 2017

Greenspan, 1997;

Tags: bebês maternidade pais e filhos Tatiana Perin Psicologia Perinatal

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