O desafio de educar

O desafio de educar

31 de May · 3 minutos de leitura

Tenho recebido muito essa queixa nos atendimentos. As questões vão desde “aprendi limite apanhando, jurei que não bateria nos meus filhos, mas não resolve só conversar” até “cada fase exige de mim uma mãe que eu não sei ser ainda”.

Eu também sinto isso, e a crise interna piora quando você tem mais de um filho, porque, por se tratar de temperamentos diferentes, é preciso ser também uma mãe diferente para cada um, assim como é para cada fase. Diante disso, a metamorfose não acontece só na concepção, acontece no parto, nos seis primeiros meses, na festa de um aninho, nas crises dos dois anos, e para quando? Nunca, segundo as mães de adultos.

Eu não tenho dúvidas de que eu verei meus filhos adultos e pensarei: isso eu poderia ter feito diferente. Mas eu tenho consciência de que esse pensamento virá com uma maturidade e com uma vivência que eu não tenho agora. Então, está tudo bem eu seguir como penso hoje.

E o que eu penso sobre educar é o seguinte: os valores que você quer transmitir precisam estar muito claros, tanto no seu discurso, quanto nas suas atitudes, principalmente naqueles momentos em que você não está pensando em ensinar nada, mas está sendo você mesma (as crianças espelham você o tempo todo).

E o tempo de qualidade não requer necessariamente sentar no chão pra brincar com todo um arsenal psicopedagógico. Pode ser, por exemplo, no momento dentro do carro, permitir que o silêncio dê espaço pra uma conversa cotidiana, onde você se abre para escutar de verdade o que a sua criança tem a dizer; e ali, falando sobre “por que esse moço tá vendendo bala?”, “por que aquela mulher tá andando na chuva”? “o que significa esse desenho na placa?”, você vai educando.

Educar não se trata de ter um manual do que fazer e do que não fazer, apesar de que eu penso que devemos ter nossas próprias diretrizes, nossos valores (como mencionei) e clareza do que é inegociável pra você como mãe e pra vocês enquanto família.

Educar, pra mim, é tomar pequenas decisões, todos os dias, a cada nova situação que surge e a cada situação que se repete e se repete e se repete. Obviamente que facilita muito você ter informações sobre desenvolvimento infantil, funcionamento do cérebro da criança em cada fase e sobre você mesma! Esta última fonte de informação realmente faz tooooda a diferença.

Porque educar uma criança perpassa as três principais identificações que conflitam dentro de nós: você identificada com quem te educou, você identificada com a criança que você foi e você identificada com o seu ideal de mãe. Imagina os conflitos internos?

Por isso que vêm à tona, tão forte, os padrões de educação aprendidos, especialmente nas situações mais críticas e naquelas que mexem mais conosco. Acredito, sim, que temos que ter atitudes bem diferentes, mas existem algumas em que eu acho que estamos nos perdendo e que deveríamos manter à moda antiga, como fazer as crianças honrarem seus compromissos; assumirem tarefas de casa sem receber pagamento por isso; ter rigor com algumas regras sociais e de casa; e mais presença conosco, e outras gerações, e menos com telas.

E assim, ouvindo, vivendo, escrevendo, eu também vou construindo a minha resposta para essa queixa: como é desafiador educar!

Tags: maternidade pais e filhos Tatiana Perin Psicologia Perinatal

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