O que os bebês sentem e como se desenvolvem as suas habilidades emocionais - Parte 3

O que os bebês sentem e como se desenvolvem as suas habilidades emocionais - Parte 3

25 de February · 3 minutos de leitura

Chegou a fase da intencionalidade, o momento em que o bebê vai comunicando os seus desejos mais claramente. Na terceira e última parte dessa série de artigos sobre o que os bebês sentem e como se desenvolvem as suas habilidades emocionais, eu vou falar sobre a segunda metade do primeiro ano de vida. Nessa fase, começam os esboços de intencionalidade e a combinação entre pensamento e ação em busca de algo.

As manifestações dessa fase estão em gestos simples, como sorrisos, testas enrugadas, movimentos de cabeça, troca de postura, gritos, murmúrios delicados ou mal-humorados. Na medida em que o bebê consegue levantar os seus braços para que alguém lhe dê colo ou dar um tapa em um prato de comida da qual não gosta, ele começa a experimentar algumas parcelas primárias de si mesmo. Em seguida, elas se tornarão aspirações ou desejos.

Ao final dessa fase, quando estiver com um ano de vida, o bebê já tem um repertório gestual mais enriquecido, incluindo manifestações verbais. Ele passa a comunicar os seus desejos de forma mais clara, como, por exemplo, aponta para um objeto com o qual quer brincar ou protesta quando algo é tirado da sua mão. No início da vida, os processos emocionais da mente adulta podem ser usados pela criança para regular o seu próprio estado interno. Por meio da troca afetiva, de sequências de ruptura-reparo e espelhamento físico e verbal, os bebês começam a internalizar a consciência emocional, a compreensão e as habilidades de autorregulação emocional.

Neste ponto, os pais e responsáveis são essenciais e devem ajudar as crianças a expressar e gerenciar as suas emoções, que estão em desenvolvimento. Trata-se de um momento bastante importante, já que a saúde mental dos próprios pais influencia a adequação das emoções que eles percebem. Estudos mostram que as interações entre pais e bebês são caracterizadas pelo acoplamento de processos fisiológicos e comportamentais, combinados por comportamento não verbal, concomitância de ritmos cardíacos e funcionamento autônomo, coordenação de liberação hormonal e sincronia cérebro a cérebro.

Os períodos de formação de vínculo são acompanhados por uma atividade maior e por uma interação acentuada dos sistemas cerebrais que sustentam a afiliação, a recompensa e o gerenciamento do estresse. Portanto, assim como nas outras dimensões do desenvolvimento infantil, o papel das interações no início da vida pode ser considerado o elemento mais importante na criação de um apego seguro. As conexões humanas criam conexões neurais, moldando diretamente o desenvolvimento geneticamente conduzido do cérebro humano.

Por fim, os relacionamentos que se configuram como conexões e que permitem a colaboração oferecem às crianças maiores possibilidades de desenvolvimento socioemocional, o que permite que outros domínios, incluindo cognição, linguagem e motricidade evoluam de forma saudável. Assim, tendo alcançado os marcos do desenvolvimento, apoiados pela conquista das competências sociais emocionais, a criança evolui bem para consciência das próprias emoções e das emoções dos outros, para a capacidade de lidar adaptativamente com emoções aversivas e circunstâncias desafiadoras, de confiar nas pessoas e se sentir segura, de explorar, brincar e ter autonomia.

É nesse ponto que queremos chegar e, com essa série de artigos, entrego mais um conteúdo gratuito com o objetivo de ajudar na criação de crianças saudáveis. Espero que você tenha gostado.

***

Bibliografia:

Siegel, 2001;

Mares, Newman, & Warren, 2011;

Rosenblum, Dayton, & Muzik, 2019;

Silva, 2017

Greenspan, 1997;

Confira outros posts

O desafio de educar
Maternidade 31 de May · 3 minutos de leitura

O desafio de educar

Vamos conversar?

Entre em contato comigo para marcarmos o nosso primeiro encontro! Tenho certeza que a psicoterapia pode contribuir para que o seu maternar seja mais tranquilo!

Agendar consulta
Tatiana Perin Psicologia Perinatal
Tenho interesse

Tens interesse neste serviço?
Preencha os seus dados e retornarei o mais breve possível com mais informações.